Banzo Brazil - What is this about it?

Banzo (unknown African origin) is also similar to saudade formely used in Brazil but it refers to the morbid feeling felt by a black slave towards his culture. In common use, banzo means saudade for one's own culture and homeland, as opposed to a loved one, a family member, a moment in time, etc. This blog is about my personal banzo and also about the everyday life of someone who decided to live abroad.

Tuesday, June 16

Burguesinha, sim!

Recebi um recado no Orkut de uma amiga de muitos carnavais atrás dizendo que cada vez que escutava essa música do Seu Jorge, lembrava de mim. Achei engraçado como nós realmente nos lembramos de pessoas que não vemos a tanto tempo criarem impressões nas nossas mentes de uma maneira que não as esquecemos. Eu também sou assim. Entretanto, o assunto do Post é outro. O fato de ela ter “carinhosamente” me chamado de burguesinha.

Escute a música, caso ainda não tenha, agora!



Na verdade, isso é uma coisa frequente na minha vida e há alguns meses tive um problema SÉRIO com pessoas da minha família por causa disso. Pois bem, primeiro, a expressão burguês no Brasil remete a uma classe social abastarda, o que não é o meu caso. É geralmente usada para denominar alguém que não que tem vida fácil. Ok, dependendo da interpretação, pode ter sido meu caso. Porém, uma coisa eu garanto, minha vida hoje não tem nada de burguesa.
Eu adoro a burguesia e ao contrário de Cazuza, não acho que ela fede. A burguesia quando surgiu, na idade média, foi exatamente a classe social que mudou o cenário da época, onde só a monarquia e o clero tinham direitos a uma vida confortável. Foram eles que se afastaram e disseram NÃO para esse povo que consideravam-se divindades e trouxeram uma nova opção ao mundo, ao de viver-se confortavelmente pelo trabalho. Eles, os burgueses, eram comerciantes e começaram no mundo o sistema que mostrou ser o mais eficaz na distribuição de renda, o capitalismo.



Eu já fui meio anarquista e comunista, outro dia assiti Che e me emocionei muito, mas hoje (conhecendo muitossssssss cubanos como conheço) tenho certeza de que tudo isso é utopia e que o mundo (nem nos tempos das cavernas) foi ou será egalitarian, pois nós, homens, somos animais na essência e, portanto, somos uns mais fortes do que outros e, assim, consequentemente, dominantes. Assim é e assim será. Sempre!
Eu admito que tive uma vida privilegiada, a custa de muito trabalho e sacrifícios dos meus pais. E o primeiro ponto do qual eu me orgulho muito deles é o fato de eu ser filha única, o que me proporcionou milhares de coisas boas durante minha vida inteira que não seriam possíveis se eu tivesse irmãos. Meus pais sabem bem disso. Papai, teve uma dúzia de irmãos e embora meus avós tivessem uma situação financeira boa (pimba eu sou burguesa sim, pois eles eram comerciantes!), muitas vezes meu pai ouvio “não” para muitas coisas pois não era possível comprar para todos.
Minha mãe, a mesma coisa, teve seis irmãos e ainda viveu com madrasta para completar. A filha da madrasta, minha tia queridissíma, hoje é médica. Minha mãe não chegou a concluir o Segundo grau. Culpa da médica? Claro que não, ela aproveitou as oportunidades que lhe foram oferidas na vida, como minha mãe, que teve a sorte de ser bonita e casar bem! (risos)Meu pai estudou, fez concurso público, passou e, graças a isso, teve condições de sustentar a família com certos confortos.
Enfim, meu ponto é que mesmo eu tendo estudado em boas escolas, ter feito curso de inglês, natação, veraneado com vários biquines diferentes, etc, não me fez ficar cega com as coisas do mundo. Alias, uma coisa boa de conviver em lugares onde as pessoas podem ($) mais do que você é bom para ter uma noção de que sempre alguém terá mais do que você tem e não existe mal nenhum nisso. As pessoas ricas não são bicho-papões, não “fedem”, elas são criadas num contexto social e não podem ser execradas por isso.
Li outro dia no blog da Lola (link na lista de blogs que eu leio) que as pessoas no Brasil reclamaram no bolsa família dizendo que ninguém vai conseguir uma empregada agora, pois é melhor viver do bolsa família do que trabalhar. Pois bem, eu não tenho uma “Maria“ para limpar minha casa, nem tenho um “zé” para lavar meu carro. Vida dura essa de morar num país onde a distribuição de renda (graças ao capitalismo) é mais igualitária e cada um tem que lavar sua própria roupa! Ou pagar BEM para que alguém o faça.
Ainda assim, me chamam de burguês porque eu tenho um bom carro, porque eu me dou ao direito de sair, passear, viajar? Porque eu mimo um cachorro? Porque eu uso bolsa Luis Vuitton original? Não sei exatamente porque, pois eu trabalho duro para isso. Para sustentar o estilo de vida que eu gosto de ter. Um dos meus pontos é que eu sou só! Eu nasci só, cresci só (filha única) e, ESPECIALMENTE, não tive filhos, uma opção que a cada dia que passa se mostra PARA MIM, a melhor de todas que eu fiz!

Na verdade, meu clipe é esse ai...



Burguesia
"A burguesia é uma classe social que surgiu nos primeiros séculos da Idade Média na Europa (séculos XI e XII) que deu origem ao renascimento comercial e urbano. Dedicava-se ao comércio de mercadorias (roupas, especiarias, jóias) e prestação de serviços (atividades financeiras)."
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2 comments:

Lucia Cintra said...

Entao se for o caso, sou tb, pois eu trabalho duro pra ter o que tenho e comprar o que quero. As pessoas nao enxergam essa parte, ne? Acham que eh tudo facil e caido do ceu. Tudo bem que meus pais tb nos deram oportunidades (a mim e as minhas 2 irmas), mas trabalharam duro pra isso. E essa parte ninguem ve. bjos

Claudia said...

vc ainda tem paciencia em explicar tudo isso pra quem te chamou de burguesa e tal?eu nao teria...passo reto por esse povo e eles nao pagam nossos impostos....

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