Banzo Brazil - What is this about it?

Banzo (unknown African origin) is also similar to saudade formely used in Brazil but it refers to the morbid feeling felt by a black slave towards his culture. In common use, banzo means saudade for one's own culture and homeland, as opposed to a loved one, a family member, a moment in time, etc. This blog is about my personal banzo and also about the everyday life of someone who decided to live abroad.

Saturday, May 16

Quem sou, para onde vou...

Eu não sou uma pessoa fácil de se conviver. Disso eu sei há muito tempo. Eu falo muito, sou metida a querer saber de tudo, a querer ter razão, a achar que meu ponto de vista é o correto, etc, etc. Por outro lado, eu sou uma pessoa que respeita o fato de pessoas terem opiniões diferentes e acho o máximo o fato de pessoas gostarem e fazerem coisas diferentes, agirem diferentes, fazerem do mundo esse universo de cores e sabores tão antagônicos.

Meu estilo é daqueles que se ama ou odeia e é humanamente impossível conviver comigo sem gostar de mim. Por que eu sou barulhenta, grande, apaixonada, exagerada e pink! Sou loura falsa, sou gorda e sou atrevida. Aprendi a viver e ser respeitada pela liderança, mas as quando precisou sair no tapa, admito que o fiz. Sou fiel. Aos meus amigos, aos meus ideiais, ao meu amor. Amo intensamente, gosto de praia e luar, de doces, de cachorro e estou descobrindo Deus.

Ao completar 33, sinto-me mais madura, menos preocupada com a opinião dos outros e mais preocupada com os outros. Em fazer a coisa certa, em não preocupar tanto meus pais… Não sei, mas parece que o tempo vai passando e tudo torna-se mais claro, seus sentimentos menos volúveis e sua vida com mais sentido. Estou numa fase que sei quem sou, onde estou, de onde vim e onde quero chegar.

No meio de tudo isso, algumas preocupações, de se minha companhia vai dar certo ou não (até agora está dando…); com minha saúde (isso para mim significa comer melhor); com meus pais envelhecendo longe de mim (e eu sem poder ir no Brasil com mais frequencia); e outras coisitas mais, umas meio bobas até, como com minha pele, as rugas que já estão aparecendo, coisas que eu não fiz e acho que não poderei mais fazer…

E algumas felicidades, como meu cachorrinho lindo, amado, adorado, uma criaturinha maravilhosa que depende de mim para tudo, mas que transforma meu dia assim que acordo pelo simples fato de ele estar lá esperando por mim. E, especialmente, o fato de hoje eu dividir minha vida com alguém cheio de defeitos, mas com a qualidade incrível de me entender e me amar como eu sou… A vontade que eu ando de casar e deixar outros sonhos que antes já foram tão importantes de lado, para seguir uma vida em parceria.

Meu aniversário foi na terça passada. Convidei várias pessoas e tive confirmação de poucos. Achei meio chato fazer num restaurante, com cada um pagan do sua conta, mas acabei conseguindo um lugar agradável e em conta. Surpresa total a minha, quanto 70 pessoas apareceram para me abraçar, para encher minha bola e me diserem o quanto eu sou especial para elas. Eu sempre vivi mudando de um lado para o outro, nunca criei raizes e, agora, morando quase cinco anos consecutivos aqui em Sarasota, posso afirmar que tenho bons amigos, que tenho uma vida boa, ao lado de pessoas que podem contar comigo e das quais eu sei que posso contar também.

Estou feliz. Não estou preocupada com muitas coisas na vida fora a questão financeira. Hoje, dona de minha empresa, trabalhei pela primeira vez no dia do meu aniversário. Estranho isso, e pensar que em nenhum momento eu pensei em não abrir naquele dia, ou mesmo arrumar alguém para me substitiuir. Acho que isso é responsabilidade, é a vontade de fazer dar certo, é a garra de seguir adiante, é vontade de vencer, prosperar…

Entretanto, esse ultimo ano trouxe algo para minha vida uma coisa que eu jamais imaginei ser possível: a capacidade de deixar o jornalismo de lado na minha e me posicionar profissionalmente em outra área. Voltei para a escola e vi que para ser jornalista em inglês eu teria um grande caminho a percorrer. E para continuar trabalhando com a comunidade brasieleira, teria obrigatoriamente que mudar para um lugar maior, com uma concentração de brazucas como Pompano Beach ou Marlborough.

Não fui, não vou, não acho que o título vale tantos sacrifícios, não acho que eu deva satisfação alguma aos coleguinhas que hoje têm “sucesso” profissional e acham que eu não tenho. Pago minhas contas, vivo com certo conforto e me orgulho de nunca (nunca mesmo) ter me envolvido em nenhuma cruzetagem. Ganho minha vida com o esforço do meu trabalho e cada xiringada de perfume francês que uso é resultado disso, bem como os restaurantes que frequento e viagens que faço.

Em meu futuro, viazualizo muita properidade. Encontrei algo que gosto de fazer e que me satisfaz. Acho isso incrível, porque por tantos anos eu achava que se não trabalhasse numa redação de revista, jamais seria feliz. O título de editora era algo que eu cobiçava como se fosse ouro. E hoje, vejo que para ser feliz temos que nos adaptar, mesclar e muitas vezes, desistir de certas coias. Nossa sociedade obviamente condena isso, desistir “jamais” dizem. Porém, até que ponto vale a pensa se lutar por metas inalcansáveis, ou que demadem sacrificios dos quais você não estar disposoto a enfrentar?

Eu choro às vezes. Penso até que nada da certo para mim, blá blá blá. E em um outro momento olho para minha vida e vejo o quao sortuda eu sou. O quanto as coisas dão certo sim e quão afortunada eu sou em ter tido os pais que tive e todas as opportunities que me foram dadas por eles e pela vida. É assim que eu entro nos meus 33. Idade de Cristo. Certamente alguém do qual hoje eu sinto necessidade de conhecer melhor.

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