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Acho que em nenhum outro lugar do mundo, viver de aparência, preocupar-se com a vida dos outros e “ter que ter” alguma coisa porque “todo mundo tem” é tão comum como no Brasil. Pensando nisso, descobri que sou economista. Já explico o porquê.
Li nas noticias há algum tempo nas notícias que o nosso país estava crescendo. E muito. A principio fiquei feliz. Claro. O PIB do Brasil cresceu quase 4% no último ano... Imaginei ai a alegria dos já muito ricos. Em dimdim, digo, dinheiro, isso equivale a R$2,3 trilhões. A indústria cresceu, o dólar caiu e, portanto, se exportou mais. Pense na alegria dos produtores de soja!!! Mas até onde isso mudava a vida da base da pirâmide? O povo?
O povo estava com escolas mais equipadas... humm! O povo está comendo melhor... humm! E, principalmente, o povo está andando de carro novo! Aí sim, algo realmente importante para o povo brasileiro. Sejamos sinceros, no Brasil se mede status social pelo carro. “Fulano está muito bem, anda num Corola!”, por lá quem tem Corola (nada contra o carro, me entendam!) é “rico”. Ou então, e pior ainda, “Sicrano não deslancha na vida, ainda hoje anda naquele Uno pelado”. E o mais discriminador de todos: “Eu num namoro com um perdedor daqueles, nem carro o cara tem!”.
Mas enfim, nós aqui no Banzo amamos o Brasil e queremos sim que tudo que o Governo anuncia seja verdade. Queremos que tudo vá bem, pois assim, muitos de nós nos sentiremos mais a vontade para voltar. Entretanto, como disse no começo, descobri que sou economista. Previ logo que com esse PIB e com essa sensação de que o país cresceu, também cresceria a inflação. E aconteceu.
No mês de maio, segundo o IPC, a inflação foi a pior do ano: 4,7%. Claro o Governo botou a culpa nas chuvas. Chove muito, alaga tudo, compromete a safra, alimentos sobem de preço. Faz sentido. Entretanto, no dia a dia o Zé Povo lá só sabe que teve que comprometer 46% do que ganha só para se alimentar. A conseqüência política é que o Governo já decretou um aumento nos juros para conter o aumento da inflação.
Ainda temos as outras boas noticias certo? Claro que sim, as escolas bem equipadas. Ai outra matemática básica. A educação no Brasil (segundo dados da Unicef) é a segunda pior da América Latina. Só duas escolas no país inteiro têm a 8° série no mesmo nível de países desenvolvidos. E os carros? E tantos bens de consumo adquiridos não conta? Conta sim! O número de endividados no Brasil já é de 47% da população. E observe: endividadas são as pessoas que compram e não conseguem pagar suas dividas. Os que ainda estão pagando no sacrifício não entram nessa estatística. E eu previ tudo isso! Sou ou não sou uma economista?!